Muitas mulheres notam que, ao entrar na menopausa, a silhueta do pescoço muda drasticamente. Mesmo mantendo o mesmo peso, o contorno da mandíbula parece "desaparecer" e um volume persistente surge logo abaixo do queixo. Esse fenômeno tem uma explicação científica ligada diretamente às transformações hormonais.
A Dança dos Hormônios e a Gordura
A menopausa traz consigo uma queda acentuada nos níveis de estrogênio. Este hormônio é o principal responsável por ditar onde o corpo feminino armazena gordura.
- Antes da Menopausa: O estrogênio favorece o acúmulo de gordura nas regiões ginoide (quadris e coxas).
- Pós-Menopausa: Sem o estrogênio, o corpo passa a acumular gordura de forma androide (central e visceral). No rosto e pescoço, isso se traduz em um aumento dos depósitos de gordura submentoniana (a "papada").
Gordura Superficial vs. Gordura Profunda
Um ponto que gera muita confusão é o tipo de gordura acumulada. No pescoço, temos dois compartimentos principais que são afetados:
- Gordura Subcutânea (Pré-platisma): É aquela que conseguimos "pinçar" com os dedos. Ela fica logo abaixo da pele.
- Gordura Profunda (Subplatismal): Esta é a grande vilã da menopausa. Ela fica abaixo do músculo platisma e ao redor dos músculos digástricos. Dietas e procedimentos superficiais, como o preenchimento ou enzimas, raramente conseguem atingir essa camada com eficácia.
O Efeito "Derretimento"
Além do acúmulo de gordura, a queda hormonal impacta a síntese de colágeno. A pele torna-se mais fina e o músculo platisma perde o tônus. O resultado é um efeito de cascata: a gordura pesada empurra um músculo enfraquecido e uma pele sem elasticidade, criando o aspecto de pescoço "cheio" ou "pesado".
Tratamento: Por que a Lipoaspiração Comum pode Falhar?
Em pacientes na pós-menopausa, a simples lipoaspiração (que retira apenas a gordura superficial) muitas vezes deixa um resultado insatisfatório ou pele sobrando.
Para um rejuvenescimento efetivo, a abordagem moderna na cirurgia facial foca no tratamento do compartimento profundo. Isso envolve:
- Abertura do platisma para remover a gordura profunda.
- Redução, se necessário, do volume de estruturas como as glândulas submandibulares.
- Reposicionamento muscular para criar uma "cinta" natural que sustenta o pescoço.



